Aos 25 anos, a avançada natural de Almeirim despede-se dos relvados após uma década e meia de dedicação. No currículo, leva dois títulos nacionais e a marca indelével de quem percorreu o país de lés-a-lés pelo amor à modalidade.

O futebol feminino português acorda hoje com o anúncio de uma despedida precoce, mas profundamente ponderada. Cristiana Duarte, uma das figuras que acompanhou o crescimento exponencial da modalidade nos últimos 13 anos, decidiu colocar um ponto final na sua trajetória enquanto atleta profissional. A decisão, comunicada com a serenidade de quem cumpriu a sua missão.
A caminhada de Cristiana é o retrato fiel da resiliência. Desde os primeiros passos no União de Almeirim, a sua evolução foi constante, passando pelo Salvaterrense e pelo Atlético Ouriense, até chegar ao patamar de elite. Representou as cores do Sporting CP e do Estoril Praia, onde viveu duas etapas distintas e cimentou o seu nome em clubes históricos como o Amora FC e o Futebol Benfica. Mais recentemente, emprestou o seu talento ao Damaiense, ao Vitória SC e, por fim, ao Gil Vicente, clube onde termina agora o seu percurso.
Pelo caminho, a glória não lhe foi alheia. Cristiana Duarte sagrou-se Campeã Nacional da II Divisão por duas vezes, provando que o talento, quando aliado ao sacrifício, encontra sempre o caminho do sucesso. Nem mesmo a areia foi obstáculo, tendo representado com distinção o AD Pastéis no futebol de praia, demonstrando uma versatilidade técnica invulgar.

Em declarações que marcam este adeus, a jogadora confessa que esta é a decisão mais difícil da sua vida, mas fá-lo com a “tranquilidade e consciência” de quem procura agora uma felicidade ainda maior fora das quatro linhas. “Sou uma pessoa moldada ao que o futebol me proporcionou”, afirma, sublinhando que a modalidade foi a sua maior escola de vida, preparando-a para desafios que transcendem o relvado.
Cristiana não esquece quem esteve na sombra durante estes 13 anos. Num agradecimento público que abrange desde a família aos dirigentes e treinadores, a agora ex-jogadora enfatiza que leva consigo “apenas e somente coisas boas”, garantindo que as amizades forjadas no balneário são o troféu mais valioso que guarda.
Como a própria refere ao fechar este livro, a sua jornada foi feita de “alegria, tristeza e saudade”, mas, acima de tudo, de uma resiliência que a permitiu conhecer o mundo e tornar-se na mulher que hoje escolhe, por vontade própria, sair da sua zona de conforto.






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