O futebol feminino poderá estar prestes a ganhar um novo palco global e o Qatar surge como forte candidato a recebê-lo. O país do Médio Oriente está em diálogo com a FIFA para acolher a primeira edição do Campeonato do Mundo de Clubes Feminino, uma competição inédita que promete marcar uma nova era na modalidade.

Foto: internet



A prova, pensada para janeiro de 2028, deverá juntar 16 clubes dos vários continentes, com destaque para uma representação europeia significativa. A proposta do Qatar assenta em dois trunfos claros: uma infraestrutura desportiva moderna, já testada em grandes eventos internacionais.

No entanto, nem tudo é simples. A realização do torneio nesse período poderá obrigar a ajustes profundos nos calendários das ligas nacionais, sobretudo na Europa, mas também em campeonatos de países como Austrália, Japão ou México, levantando questões logísticas.

Apesar do interesse crescente, a FIFA ainda não oficializou a sede nem abriu formalmente o processo de candidatura. Ainda assim, os contactos em curso reforçam a ideia de que o Qatar pretende consolidar a sua posição como protagonista no futebol mundial, agora também no feminino, depois de ter organizado o Campeonato do Mundo masculino em 2022.

Ainda assim, a eventual realização deste torneio no Qatar poderá gerar forte contestação internacional. Trata-se de uma competição de futebol feminino, um espaço onde as mulheres assumem protagonismo, liberdade e visibilidade, e onde a diversidade incluindo a presença marcante da comunidade LGBT é parte integrante da identidade da modalidade.

Nesse contexto, a escolha de um país amplamente criticado pelas restrições aos direitos das mulheres e pela criminalização da homossexualidade levanta sérias dúvidas éticas e simbólicas. Para muitos, aceitar que um torneio com estes valores seja disputado num território que representa princípios quase opostos poderá não só esvaziar a mensagem do futebol feminino, como também transformar o evento num foco de polémica em vez de celebração.

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