Guimarães viveu um dia que ficará gravado na memória do futebol feminino nacional. Pela primeira vez, o Minho parou para assistir a um dérbi entre Vitória SC e SC Braga no feminino e foram as conquistadoras quem escreveu a primeira linha dessa história, com um triunfo emotivo por 2-1, no arranque de um novo ano competitivo da Liga BPI.

Foto: FPF (10/01/2026)



Não era apenas mais um jogo. Era um marco. Era rivalidade, identidade, orgulho regional e ambição. Frente a frente, duas equipas separadas por um único ponto na tabela, mas unidas por uma vontade comum: vencer.

Sem medo do peso do momento, a equipa vimaranense assumiu o controlo emocional e táctico da partida, explorando a ansiedade de um SC Braga que começou melhor em posse, mas menos eficaz nas decisões. As arsenalistas tiveram nos pés uma oportunidade de ouro para se adiantarem, mas a manhã pertencia a Tiffany Sornpao, que defendeu por duas vezes uma grande penalidade de Ásdís Halldórsdóttir e galvanizou as bancadas.

Quando o relógio já se aproximava do intervalo, surgiu o momento que mudou tudo. Mafalda Mariano apareceu no sítio certo, à hora certa, e com um remate certeiro inaugurou o marcador. Não foi apenas um golo foi o primeiro da história dos dérbis do Minho no futebol feminino. Um grito coletivo que ecoou na Academia.

O reatamento trouxe um balde de água fria para as conquistadoras. Um lance infeliz para a equipa da casa resultou no empate do SC Braga através de Madeline Gravante, reacendendo o jogo e a esperança bracarense. Pouco depois, a expulsão de Maria Alagoa parecia inclinar definitivamente o encontro para o Vitória, mas o futebol raramente segue guiões óbvios, contudo desta vez foi diferente, mesmo com dez, o Braga mostrou raça, subiu linhas e nunca deixou de acreditar.

Mas ainda assim, o destino tinha outra história preparada. Aos 62 minutos, um cruzamento milimétrico encontrou Vanessa Marques, que não hesitou. Cabeceamento certeiro, golo decisivo e um toque extra de emoção: a antiga jogadora do SC Braga selava a vitória do Vitória SC. O dérbi ganhava um novo capítulo, carregado de simbolismo.

Até ao apito final, viveu-se um jogo intenso, aberto e disputado com alma. O Braga lutou até ao último segundo, o Vitória resistiu com maturidade e união. No final, Guimarães sorriu. Não apenas pelos três pontos, mas por ter sido palco de um momento fundador.

Num dérbi inaugural que já pertence à história, o Vitória SC liderado por Ivo Roque mostrou que esta época não é surpresa é afirmação. E o Minho, esse, ganhou mais um clássico para viver, sentir e contar.

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