Há cidades que respiram futebol. E há cidades que escolhem, conscientemente, fazer do futebol feminino uma causa, uma identidade e um legado. Araraquara é uma delas.

A Ferroviária acaba de dar um passo histórico ao aprovar o projeto executivo do primeiro Centro de Treinos do Brasil pensado, desenhado e dedicado exclusivamente ao futebol feminino. Um marco que ultrapassa o desporto e entra definitivamente no campo da memória coletiva.Um espaço feito por escolha, não por obrigação. Por visão, não por imposição.

Foto: Ferroviária



Com a aprovação do projeto executivo, está aberta a porta para o início de uma obra que representa um investimento de cerca de 34 milhões de reais, fruto de uma articulação entre entidades públicas e privadas. Mas o valor financeiro, por si só, não explica a dimensão deste passo. O que está em causa é algo maior: a construção de um lar definitivo para gerações de jogadoras.

O atual CT do Pinheirinho será profundamente transformado e dará lugar a um complexo moderno, vivo e simbólico, que o clube decidiu chamar Aldeia das Guerreiras. Um nome que não é metáfora gratuita. Ali existirão seis campos de futebol, preparados para diferentes realidades competitivas, com tecnologia de irrigação, relvados adaptados e espaço para o crescimento da formação até ao alto rendimento.

Mais do que treinar, será possível viver o futebol. O projeto integra áreas médicas e de reabilitação, zonas de preparação física e espaços pensados para a convivência e desenvolvimento humano das atletas. No coração da Aldeia surgirá ainda uma unidade hoteleira com capacidade para acolher 82 atletas. Cozinha industrial, restaurante, lavandaria, rouparia e balneários fazem parte de um plano que garante dignidade, conforto e autonomia às jogadoras, desde os escalões Sub-12 até à equipa principal.

Foto: Ferroviária



Mas esta história não começa agora. Desde 2001, a Ferroviária mantém um projeto contínuo, sólido e ininterrupto no futebol feminino. Não nasceu por imposição de regulamentos, nem por obrigação institucional. Em Araraquara, o futebol feminino existe porque foi uma escolha. Uma decisão política, desportiva e social que atravessou décadas, resistiu a modas e construiu títulos, atletas e referências.

Num cenário onde tantas equipas ainda improvisam, partilham ou sobrevivem, a Ferroviária constrói. Planeia. Afirma-se. A Aldeia das Guerreiras nasce como um símbolo claro: aqui, o futebol feminino não pede espaço. Ele tem casa.

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