O ano desportivo fechou como só o futebol sabe fazer: com um dérbi intenso, emotivo e decidido nos detalhes. Alvalade foi palco do último jogo da oitava jornada da Liga BPI e recebeu um Sporting–Benfica que teve tudo, domínio, sofrimento, VAR, penalty e um golo salvador nos minutos finais.

Foto: SL Benfica



O Benfica entrou em campo como líder destacado, com cinco pontos de vantagem sobre as leoas. O Sporting sabia que só um resultado positivo permitiria manter viva a perseguição ao topo. O contexto estava montado para uma noite grande  e assim foi.

As primeiras intenções partiram do lado verde e branco. Daniela Arques avisou cedo, com um remate cheio de intenção que passou muito perto do ângulo, arrancando aplausos das bancadas. Mas o Benfica não demorou a assumir o controlo do jogo. Seguro, organizado e agressivo nos duelos, foi empurrando o Sporting para trás.

Aos 14 minutos, um susto em Alvalade: um erro defensivo leonino permitiu a Anna Gasper recuperar a bola e finalizar para golo. O festejo, porém, foi travado pela bandeira fora de jogo confirmado pelo VAR. O aviso estava dado.

O golo encarnado surgiria pouco depois, aos 22 minutos, com assinatura de classe. Catarina Amado cruzou com precisão pela direita e Nycole Raysla apareceu solta ao segundo poste para cabecear para o fundo das redes. Um golo que premiava a superioridade do Benfica.

Foto: Sporting CP



A primeira parte teve um só sentido. As águias dominaram largos períodos, criaram várias ocasiões e obrigaram Anna Wellmann a uma exibição de alto nível. Aos 34 minutos, a guardiã alemã brilhou com uma defesa de reflexos que evitou o segundo golo. O Benfica estava por cima: mais intenso, mais eficaz, mais perigoso.

O Sporting sentia dificuldades. Com pouco espaço para construir, tentou a alternativa dos remates de fora da área, sobretudo por Telma Encarnação, mas Thais Lima mostrou-se segura, transformando-se numa autêntica muralha. Faltava pressão defensiva, clareza na saída de bola e presença nos momentos decisivos.

A segunda parte trouxe um Sporting mais agressivo, mais audaz, mais vivo. As leoas subiram linhas, ganharam o meio-campo e passaram a discutir o jogo olhos nos olhos. O que antes era hesitação transformou-se em crença.

Ainda assim, o Benfica não se encolheu. Chandra Davidson e Caroline Møller continuaram a levar perigo, mostrando que a ambição encarnada não se esgotava na vantagem mínima.

Quando o relógio se aproximava do fim e o Benfica parecia ter o jogo controlado, surgiu o momento-chave. Aos 84 minutos, Carolina Santiago, acabada de entrar, caiu na área. Grande penalidade. O VAR confirmou. Silêncio em Alvalade.

Da marca dos onze metros, Telma Encarnação não tremeu. Remate certeiro, empate feito, estádio em erupção. O Sporting respirava, acreditava e queria mais.

Nos minutos finais, as leoas estiveram perto da reviravolta. Raphino arrancou pela esquerda, serviu Telma, mas o remate saiu ao lado. Pouco depois, nova ameaça de cabeça. A entrada de Carolina Santiago mudou por completo o chip da equipa, que criou em poucos minutos quase tanto perigo como em grande parte do jogo.

O apito final selou um empate suado e dramático. Depois de mais de uma hora de domínio encarnado, o Sporting agarrou um ponto à força da crença e da persistência.

Destaque maior para as duas guarda-redes, figuras centrais num dérbi decidido nos detalhes e nos nervos.

As contas do campeonato mantêm-se: o Benfica segue líder, com cinco pontos de vantagem sobre o Sporting. Mas em Alvalade ficou a prova de que, no dérbi, nada está decidido até ao último segundo.

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