A noite tinha-se posto fria no Estádio da Luz quando Benfica e PSG disseram adeus à Liga dos Campeões feminina com um empate a uma bola. Já sem hipóteses de seguir em frente, águias e parisienses jogaram sobretudo pela honra e para cumprir calendário, mas quem via de fora não sentiu isso, muito pelo contrário. Ambas deram luta para encerrar a participação na Champions com uma vitória.

Foto: SLB via Instagram



O encontro começou da pior forma para as encarnadas. Ainda os relógios não tinham aquecido e já o PSG celebrava. Um erro na construção permitiu a Onyi Echegini roubar a bola em zona proibida e disparar um remate forte e rasteiro. Lena Pauels ficou perto da defesa, mas não evitou o golo madrugador que gelou a Luz logo aos cinco minutos.

O susto inicial acordou o Benfica. A equipa de Ivan Baptista ganhou coragem, subiu linhas e encontrou em Lúcia Alves o motor da reação. Pequena no tamanho, gigante na atitude, a internacional portuguesa incendiou o flanco esquerdo com velocidade, drible e insistência. Foi dela o lance que mudou o rumo emocional do jogo.

Aos 29 minutos, Lúcia voltou a romper pela esquerda e acabou derrubada na área após uma entrada dura de Elisa De Almeida, já com cartão amarelo por minutos antes ter entrado de forma igualmente bruta sobre a número 13 das aguias. A decisão da árbitra gerou protestos, não pela marcação do penálti, mas pela ausência da expulsão. Ainda assim, Carole Costa não se deixou contaminar pelo ruído. Capitã, experiente, confiante, colocou a bola nos onze metros e rematou com frieza para o empate, devolvendo esperança às águias.

Até ao intervalo, o Benfica foi mais atrevido, mais pressionante, mas faltou eficácia no último toque. O jogo seguiu para o descanso empatado, com a sensação de que as encarnadas tinham algo mais para dar.

A segunda parte trouxe maior equilíbrio para ambas as formações, mas também momentos de sobressalto. O PSG voltou a ameaçar com insistência, sobretudo em lances de bola parada. Num deles, chegou mesmo ao segundo golo, quando Kanjinga apareceu solta ao segundo poste após um canto. O festejo francês durou pouco: o VAR anulou o lance por fora de jogo, mantendo tudo em aberto.

Minutos depois, a mesma Kanjinga esteve perto de silenciar de vez a Luz, acertando por duas vezes no poste no mesmo lance, um aviso sério de que o empate estava longe de garantido. Do outro lado, o Benfica mostrou personalidade, circulou melhor a bola e tentou sair com dignidade, mas o marcador não voltou a mexer.

O apito final selou uma despedida agridoce. Sem vitórias na fase de grupos, o Benfica termina a competição no 16.º lugar, com dois pontos conquistados em dois empates.

Na Europa, nem sempre se vence. Às vezes, aprende-se. E nesta noite fria na Luz, o Benfica mostrou que, mesmo fora da corrida, sabe competir até ao último minuto.

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