Há histórias que começam num relvado… e outras que começam num grito. O da seleção feminina espanhola ecoou primeiro num tweet de Alexia Putellas, então capitã,com apenas duas palavras: “Se acabó.” Um ponto final que, na verdade, abriu caminho a um capítulo inteiro de resistência, verdade e mudança.

Da polémica do beijo imposto por Luis Rubiales a Jenni Hermoso ao silêncio pesado que pairava sobre a federação, o documentário Diário de las Campeonas reconstitui cada ferida e cada passo dado. Recorda também o gesto histórico de quinze jogadoras que, em 2022, decidiram afastar-se da seleção para exigir respeito, condições de trabalho decentes e uma estrutura que as tratasse como profissionais e como mulheres.
Ontem, essa luta transformada em documentário subiu ao palco e levou para casa o Emmy de Melhor Documentário. Não foi apenas um prémio: foi uma validação internacional de um movimento que se recusou a render-se e a ficar calado.
Lançado na Netflix a 1 de novembro de 2024, o documentário acompanha várias protagonistas que hoje continuam a escrever a nova era da seleção. Cinco delas — Alexia Putellas, Irene Paredes, Jenni Hermoso, Aitana Bonmatí e Olga Carmona foram convocadas para a final da Liga das Nações, disputada frente à Alemanha a 28 de novembro e 2 de dezembro. A história continua, mas agora com outra luz.
E há regressos que dizem mais do que discursos. Mapi León, uma das autoras da carta enviada à federação em 2022, voltou este ano à equipa nacional, três anos depois, chamada pela nova selecionadora, Sónia Bermúdez. Um regresso que parece confirmar aquilo por que tantas lutaram: a seleção mudou e mudou para melhor.
No fim, este Emmy não é apenas um troféu.
É um lembrete poderoso de que quando alguém diz “basta”, o mundo pode mesmo começar a virar.






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