Há feridas que o tempo não cura e há vozes que insistem em reabrir o que o mundo inteiro já viu. Luís Rubiales, o homem que manchou a celebração histórica do futebol espanhol feminino com um beijo não consentido a Jenni Hermoso, voltou a falar.

Em entrevista à rádio El Chiringuito, o ex-presidente da Real Federação Espanhola de Futebol tentou reescrever o episódio que o afastou do cargo e do respeito público. Condenado a pagar uma multa de 12 mil euros e proibido de se aproximar da jogadora durante um ano, Rubiales continua a justificar…injustificável.
“Não estive bem. A partir daí, distorceram tudo. Foi levado à potência máxima, com interesses. Foi mais do que eu merecia. Peço perdão, nunca mais o faço. Como presidente, deveria ter sido mais institucional e frio. Não peço desculpa à Jenni Hermoso. Ela no momento disse “pode ser”. Também sabe o que diz a sentença. Não vou mudar testemunhos, como ela fez. Foi um beijo de emoção, sem conotação sexual. Ela era uma boa amiga.”
Rubiales foi condenado ao pagamento de uma multa de cerca de 12 mil euros e está proibido de contactar ou aproximar-se de Hermoso a menos de 200 metros durante um ano. Apesar da decisão judicial, o ex-presidente continua a afirmar que foi vítima de uma campanha mediática e política.
“Vi um movimento imediato da extrema-esquerda deste país. Pedro Sánchez, para ser eleito, precisava da ajuda dos independentistas e deu-lhes amnistia. Isto tudo correu-lhe muito bem, foi uma cortina de fumo. Alguns meios que recebem financiamento importante da Liga também avançaram contra mim.”
O antigo dirigente garantiu ainda ter recebido apoio de várias pessoas ligadas ao futebol.
“Tenho mensagens no WhatsApp de jogadoras, esposas, corpo técnico… a darem-me ânimo. Rafael Louzán disse-me que estava lá para o que fosse preciso. Depois, já disse outras coisas. Aprendi que há gente que te apoia sempre, depois há outros apanhados pela onda.”
Durante a entrevista, Rubiales abordou também o ambiente vivido na seleção feminina antes e depois do Mundial, referindo-se ao papel de algumas jogadoras nas decisões internas da equipa.
“Há uma lideresa que é a Irene Paredes e não é despectivo. Os mensagens que me mandou, levando a batuta… Que pena que tenha tão mau som sendo de tão bom metal tem coisas boas de líder, mas usa-as para destruir. Considerava uma falta de respeito falar do míster sem ele estar presente.’
“Irene Paredes, Alexia Putellas e Patri Guijarro influíram em Jenni para mudar a sua opinião. Há uma força grande de pertença ao grupo. Eu não vi nada igual. Mediaticamente, todos os dias, durante tantos meses… Quando se constrói um relato, aparece a foto e o relato construído. Elas quiseram tomar as decisões que pertencem a uma direção e a um presidente. Quiseram despedir Jorge.”
Rubiales comentou ainda o gesto obsceno que protagonizou na tribuna durante a final do Mundial, afirmando que foi um momento de euforia mal interpretado.
“Pediram-me a cabeça de Jorge Vilda e não lha dei. Jorge passou muito mal. Não direi até que ponto porque é uma questão da família dele. Quando ganham o título, Jorge olha para a mulher, para nós, e dedica-nos a vitória. Nesse instante senti algo que expressei de forma muito soez. Foi uma maneira de dizer: ‘Olé os teus…’. Não ia contra ninguém. Enganei-me e pedi perdão”
Luís Rubiales continua afastado de funções desportivas e mantém-se uma das figuras mais polémicas do futebol espanhol. As suas declarações voltam a gerar debate sobre o caso que marcou a conquista histórica da seleção feminina de Espanha.






Deixe um comentário