Há dias em que o futebol parece poesia, e outros em que a poesia se rasga à chuva. Depois da histórica vitória por 2-1 na última sexta-feira, a Seleção Nacional voltou a defrontar os Estados Unidos, num reencontro carregado de curiosidade, intensidade e  por que não dizê-lo esperança. Nas bancadas, Mariana Cabral, antiga técnica do Sporting e agora ao serviço do Utah Royals e Filipa Patão antiga treinadora do Benfica e agora treinadora do Boston observavam atentas o novo capítulo deste duelo improvável.

Foto: FPF ( 26/10/2025)



O palco era o mesmo, o ambiente também, mas o enredo trocou as voltas.
A treinadora Emma Hayes mexeu em quase toda a equipa americana, enquanto Francisco Neto respondeu com sete alterações no onze português. Fátima Pinto ficou de fora por questões físicas, e entraram em cena Patrícia Morais, Carole Costa, Beatriz Fonseca, Dolores Silva, Andreia Faria, Jéssica Silva e Stephanie Ribeiro.

O jogo começou… e o déjà vu não tardou. Tal como no primeiro encontro, Portugal foi apanhado de surpresa logo nos instantes iniciais. Aos 30 segundos Olivia Moultrie marcou e gelou as esperanças lusas. Mas as Navegadoras não se deixaram vergar. Quatro minutos depois, Beatriz Fonseca arrancou pela direita e cruzou para Jéssica Silva, que, mais rápida que a capitã americana, cabeceou para o empate. Um golo que gritou raça e resistência.

O ritmo era frenético, como se o jogo quisesse resolver-se ainda antes de começar. As norte-americanas aproveitaram um deslize defensivo português e, novamente por Moultrie, voltaram à vantagem. Três golos em dez minutos,um arranque digno de cinema, embora com guião desfavorável para Portugal.

Portugal procurou reagir, com linhas subidas e coragem de quem acredita, mas os espaços deixados no meio-campo eram convite aberto para as transições americanas. Mesmo assim, houve lampejos de qualidade: aos 52 minutos, Kika voltou a estar perto do golo, após passe de Beatriz Fonseca, mas o remate saiu a centímetros do poste.

O tempo passava, e o esforço português merecia mais. Contudo, o futebol raramente recompensa apenas o querer. Já perto do fim, aos 82 minutos, Samantha Coffey aproveitou um canto de Ally Sentnor para fechar as contas: 3-1 para os Estados Unidos.

No apito final, ficou um sabor agridoce. A derrota doeu, sim, mas também mostrou que Portugal não é mais um convidado tímido nestes palcos  é uma equipa que sabe competir, que sabe lutar, e que aprendeu a sonhar de igual para igual.Entre a bonança e a tempestade, há sempre o mar que separa o medo da coragem. E Portugal, mesmo entre ondas altas, navegou com alma.

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