Há noites que não são apenas galas. São páginas de história escritas à frente dos nossos olhos. A entrega da Bola de Ouro foi exatamente isso: um palco onde o talento brilhou mais do que as luzes e onde o futebol feminino voltou a reclamar o lugar que merece.

Foto: Ballon d’or

Vicky López, com a desarmante naturalidade de quem nasceu para jogar, conquistou o troféu Kopa. Hannah Hampton ergueu o troféu Yashin, lembrando-nos que até entre postes se fazem milagres. E Aitana Bonmatí… ah, Aitana! Pela terceira vez seguida coroada a melhor do mundo, a artista que não se cansa de reinventar a magia dentro de campo.

Mas o enredo não acabou aqui. Houve espaço para Ewa Pajor, a máquina de fazer golos que trocou a Alemanha pela Catalunha apenas há um ano, mas já fala a língua universal da bola: a de colocar a rede a dançar. Melhor marcadora da Liga F, subiu ao palco trémula, confessando que disparar contra balizas é mais fácil do que enfrentar microfones. A timidez só confirmou aquilo que todos já sabiam: quem tem fome de golo não precisa de grandes discursos.

Do coletivo ao individual, também houve justiça. O Arsenal, que começou a época em falso, acabou por incendiar a Europa. Do quase drama de ficar fora da Champions à glória de levantar o troféu em Alvalade contra o Barcelona, as Gunners foram eleitas “Clube do Ano”. A mão firme de Renée transformou fragilidade em força, dúvida em confiança.

E como não fechar o pano com Sarina Wiegman? Pelo segundo ano consecutivo, a mestra dos bancos recebeu o prémio de melhor treinadora. Levar a Inglaterra a vencer novamente o Europeu, desta vez na Suíça e frente a uma Espanha aguerrida, é mais do que uma conquista: é uma confirmação.Foi uma noite de ouro, mas sobretudo de emoção.

Não apenas de quem levantou troféus, mas de todos os que acreditam que o futebol, jogado com paixão, tem o poder de mudar tudo.

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