Era uma vez uma miúda que jogava no meio de rapazes. Aitana Bonmatí, franzina, mas de olhar teimoso, nunca se intimidou por ser a única rapariga no relvado. Talvez fosse aí, entre fintas desajeitadas e bolas maltratadas, que começou a escrever a sua própria história. Uma história que hoje se conta em letras douradas.

Foto: Ballon D’or

Aitana voltou a conquistar a Bola de Ouro. Não uma, não duas… mas três vezes seguidas. Aos 27 anos, tornou-se a primeira jogadora a alcançar tal feito. Três coroas douradas, três confirmações de que aquela criança que não desistiu dos seus sonhos estava destinada a rasgar o impossível.

Este ano, o duelo pelo prémio foi entre amigas, entre cúmplices de seleção: Aitana e Mariona Caldentey. Uma disputa bonita, de quem partilha camisola, memórias e vitórias. Mas a chama da jogadora do Barcelona brilhou mais alto.E brilhou porque não há como ignorar a sua temporada.

Pelo Barça, levantou Liga, Taça e Supertaça. Na Europa, foi eleita MVP da Champions e do Euro 2025, mesmo caindo como vice em ambas as finais. Estatísticas? Só para reforçar a lenda: em apenas quatro jogos desta época já soma cinco golos e uma assistência. Um arranque feroz, digno de quem se alimenta da bola como quem respira.

Aitana é La Masia. É Barcelona. É futebol na sua forma mais pura. Cresceu dentro da casa catalã e, mais de uma década depois, não só representa o clube: representa uma geração que aprendeu a sonhar com ela.

Hoje, não falamos apenas de títulos. Falamos de coragem. Falamos da persistência de uma menina que não quis ser “a única rapariga” ,quis ser a melhor. E conseguiu.Aitana Bonmatí não venceu só a Bola de Ouro. Venceu o tempo, o preconceito e os limites. E isso, meus amigos, não há troféu que consiga medir.

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