Há datas que mudam para sempre o rumo de uma equipa. Para o Barcelona feminino, essa data foi a temporada 2015/2016.

Não se tratou apenas de trocar treinos noturnos por manhãs inteiras na Masía, nem de receber um salário mais digno. Foi muito mais do que isso: foi o momento em que o sonho se transformou em profissão, e a paixão passou a ter a exigência de um ofício.

Até aí, as jogadoras dividiam-se entre a bola e outras obrigações. Treinavam quando o relógio deixava, improvisavam com o que havia. Mas há dez anos, tudo mudou: ginásio, fisioterapia, nutrição, análises de vídeo e horários de elite. O Barça decidiu que não bastava ter uma equipa feminina ,era preciso ter um projeto com a mesma seriedade que o emblema sempre exigiu.E como em toda mudança, houve despedidas dolorosas.

Saíram nomes que marcaram época, chegaram reforços que seriam fundamentais, como Sandra Paños ou uma adolescente chamada Patri Guijarro. Nesse balneário já brilhavam Alexia Putellas e Marta Torrejón, enquanto Mariona Caldentey começava a dar cartas. Pouco depois, em junho de 2016, uma jovem do filial estreava-se: Aitana Bonmatí.

De então para cá, passaram-se 26 títulos: três Champions, seis Ligas, sete Copas da Rainha, cinco Supertaças e cinco Copas da Catalunha. Mas mais do que os troféus, mudou a forma como o mundo olha para elas e como elas olham para si próprias. O que antes parecia um salto no vazio tornou-se a base de uma era dourada.

Hoje, apenas cinco resistem dessa primeira aventura profissional: Alexia, Torrejón, Patri, a preparadora física Berta Carles e o treinador de guarda-redes Uri Casares. Eles são a memória viva de um tempo em que tudo parecia distante, quase impossível.

E é curioso: o que há dez anos era só esperança, hoje é estrutura, é identidade, é legado. Porque em 2015 o Barça feminino deixou de pedir favores e começou, de facto, a escrever a História.

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