Aquecer no Desrespeito: A Crónica de um Jogo que Nunca Devia Ser Só Sobre Futebol.

Foto: geglobo

Há jogos que ficam na memória pelos golos, pela magia do talento em campo. Mas há outros que nos marcam por aquilo que acontece fora das quatro linhas e que revelam o muito que ainda falta caminhar.

No aquecimento do Bolívia vs Brasil, em plena Copa América, as jogadoras de ambas as seleções foram obrigadas a partilhar uma sala fechada do Estadio Gonzalo Pozo Ripalda para aquecer, lado a lado, como se o futebol profissional fosse um improviso de última hora. Não houve espaço, não houve respeito, não houve dignidade. Apenas um remendo apressado, justificado pela CONMEBOL com um argumento que deveria envergonhar qualquer organização desportiva: os estádios estão “sob muita carga” por acolherem dois jogos por dia.

Mas se não há condições para garantir o mínimo de estrutura num só estádio, então a responsabilidade é da organização, que deveria ter selecionado mais estádios, tal como acontece no Campeonato Europeu ou em outras competições internacionais.

Forçar atletas a partilhar um espaço fechado para se prepararem antes de um jogo não é prática comum no futebol profissional e pode mesmo ser considerado anti-desportivo. Retira foco, segurança e igualdade às equipas que merecem estar nas melhores condições possíveis para competir.

Ainda assim, em campo, o Brasil mostrou a sua força: uma vitória por 0-6, com um hat-trick de Karolin, dois golos de Luany e mais um de Amanda Gutierres.As brasileiras lideram agora o grupo com duas vitórias.A Bolívia continua sem pontuar e ocupa o último lugar.

Mas mais do que o resultado, fica a reflexão Como queremos valorizar o futebol feminino se continuamos a tratá-lo como secundário? As atletas merecem respeito, estrutura e igualdade. O talento já elas têm é tempo de o mundo corresponder à altura.

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