Copa América Feminina: raízes profundas, vozes cada vez mais altasHá histórias que não começam com holofotes, mas com coragem. Não precisam cheios, só de vontade.

Era 1991 quando, no Chile, nasceu a primeira edição da Copa América Feminina. Pouca gente viu, menos ainda ouviu falar. Mas ali, entre dribles, suor e resistência, começava a ser escrita a história de um torneio que carregaria muito mais do que taças: carregaria vozes, sonhos e luta.

Naquela primeira edição, três seleções sul-americanas entraram em campo. A disputa era direta, todas contra todas. No fim, o Brasil saiu campeão. Um título simbólico que marcava não apenas a superioridade em campo, mas a esperança de um futuro diferente para o futebol jogado por mulheres.

Desde então, a Copa América Feminina foi crescendo em formato, em visibilidade, em importância. De quatro em quatro anos, como um grito que insiste em ecoar. Vieram mais seleções, vieram mais jogos. Mudaram os formatos: já foi pontos corridos, já teve fases de grupos, semifinais, finais. Mas nunca mudou o propósito: ser o palco de quem, durante muito tempo, teve que jogar à margem.

A cada edição, a resistência se transformava em força. O Brasil, potência desde o início, conquistou oito títulos em nove edições. Domínio? Sim. Mas também sinal de investimento, de talento inegável, de nomes que marcaram gerações, Sissi, Formiga, Marta, Cristiane. Mas as outras também cresciam: Argentina, vice-campeã em 1995, levantou o troféu em casa em 2006, numa edição que quebrou a hegemonia brasileira por um breve instante.E o torneio não era só sobre vencer. Era sobre existir. Sobre obrigar a CONMEBOL e o mundo a olhar.

Em 2018, por exemplo, o Chile foi sede de uma edição memorável. Em 2022, na Colômbia, o torneio chegou renovado, com formato reformulado, transmissão ampliada, estádios com mais público. E ali, mais uma vez, o Brasil levantou a taça a oitava. Com jovens talentos, com veteranas de alma vibrante, com um futebol que encantava pela técnica e pela entrega.Mas a Copa América Feminina é mais do que uma competição continental. É a ponte para o mundo. Dá vaga para o Mundial, para os Jogos Olímpicos, para os Jogos Pan-Americanos. É o trampolim para os grandes palcos.

E com isso, cada jogo passou a carregar ainda mais peso, mais expectativa, mais história.Hoje arranca mais uma edição, o título continua nas mãos do Brasil, campeão em 2022. Mas a disputa está mais acirrada, mais democrática, mais visível.

As arquibancadas já não estão mais vazias. As câmeras estão ligadas. As meninas de ontem viraram ídolas. As meninas de hoje, inspiração.

Porque quando elas entram em campo, não é só futebol. É memória, é voz, é futuro.

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