Durante décadas, a seleção feminina de futebol de Portugal viveu à sombra de uma federação que olhava sobretudo para o masculino. Mas o tempo trouxe mudança, investimento e, sobretudo, talento. Em 2017, após anos de tentativas frustradas, as guerreiras lusas finalmente romperam o muro da invisibilidade e chegaram, pela primeira vez, ao maior palco do continente: o Campeonato da Europa de Futebol Feminino.

Euro 2017 – A Primeira Página da História
País anfitrião: Países Baixos
Portugal no Grupo D com Inglaterra, Escócia e Espanha
A estreia portuguesa foi escrita com suor, emoção e um realismo competitivo notável para uma equipa debutante. Portugal entrou no Euro como a seleção com o ranking mais baixo do torneio, apurada apenas depois de vencer a Roménia num playoff renhido. Era, aos olhos de muitos, um mero figurante. Mas dentro de campo, as jogadoras provaram que a camisola lusa tinha fibra.
Jogos da fase de grupos:
Portugal 0-2 Espanha
Um jogo digno de estreia, onde Portugal lutou frente a uma das potências ibéricas, mas acabou por perder com golos de Vicky Losado e Amanda Sampedro
Portugal 2-1 Escócia
A primeira vitória de sempre em fases finais! Um momento histórico, com golos de Carolina Mendes e Ana Leite. O hino cantado com lágrimas nos olhos e o apito final com o punho erguido marcaram uma noite que ficará para sempre na memória coletiva.
Portugal 1-2 Inglaterra
Apesar da derrota, a exibição foi digna. Inglaterra era uma das favoritas ao título, mas Portugal discutiu o jogo até ao fim. Carolina Mendes marcou novamente mas não foi suficiente para combater os golos de Duggan e Parris
Portugal ficou em 3.º lugar no grupo, fora dos quartos de final, mas com uma vitória e duas derrotas muito disputadas. Mais do que os resultados, ficou a imagem de uma equipa com coragem e orgulho, abrindo caminho para o futuro.

Euro 2022 – Repetir o Feito, Sonhar Mais Alto
País anfitrião: Inglaterra
Portugal no Grupo C com Países Baixos, Suécia e Suíça
Curiosamente, Portugal não se apurou diretamente para o Euro 2022. Depois de cair nos playoffs frente à Rússia, beneficiou da desclassificação desta (devido à invasão da Ucrânia) e foi chamada à última hora. Apesar do curto tempo de preparação, as jogadoras não se limitaram a agradecer o convite: quiseram competir.
Jogos da fase de grupos:
Portugal 2-2 Suíça
Um arranque dramático: aos 5 minutos, já perdiam por 0-2. Mas a alma portuguesa não se rende, e com golos de Diana Gomes e Jéssica Silva, arrancaram um empate que soube a vitória.
Portugal 2-3 Países Baixos
Contra as campeãs em título, Portugal voltou a reagir após estar em desvantagem. Chegou ao empate, mas acabou por cair com dignidade. Carole Costa de penalti e Diana Silva foram autoras dos golos.
Portugal 0-5 Suécia
O jogo mais duro. A diferença física, tática e de profundidade de plantel foi evidente. Apesar da goleada, Portugal terminou a participação com cabeça erguida.
Mais uma vez, Portugal ficou em 4.º lugar no grupo, fora dos quartos de final, mas com dois jogos muito competitivos. Mostrou melhorias em termos táticos e coletivos, e uma nova geração começava a brilhar.

Euro 2025: Legado e Futuro, mais do que resultados
A participação da seleção portuguesa feminina nos Europeus de 2017 e 2022 não se mede apenas pelos números. Mede-se pelo impacto social, pelo crescimento de audiências, pelo aumento do número de jogadoras federadas, e pelo despertar de um país inteiro para o futebol feminino.
A caminhada de apuramento rendeu a Portugal mais de um ano sem derrotas, a liderança do grupo A e a subida à 1º liga da Liga das Nações (onde infelizmente acabaram por não se conseguir manter). No jogo do tudo ou nada frente à Chéquia empataram a uma bola na primeira mão, com Kika Nazareth a marcar, no Estádio do Dragão perante 50 mil pessoas, um recorde de assistência no futebol feminino português. Já na segunda mão as Navegadoras venceram com dois golos de Diana Silva e carimbaram o passaporte para o 3º europeu consecutivo.
Para o europeu que arranca esta semana juntam-se as veteranas Patricia Morais, Ana Borges Diana Gomes, Carole Costa, Tatiana Pinto, Dolores Silva. Fátima Pinto, Andreia Norton e Diana Silva que estiveram no europeu de 2017, com a leveza da juventude talentosa que chegou em 2022 como Kika Nazareth, Lúcia Alves, Inês Pereira, Catarina Amado, Joana Marchão, Andreia Faria, Jéssica Silva e Telma Encarnação. A equipa fica fechada com o ingresso das “novatas” nestas andanças: Andreia Jacinto, Beatriz Fonseca, Carolina Correia, Ana Seiça, Sierra Cota-Yarde e Ana Capeta
Apesar de um grupo complicado onde têm pela frente a campeã mundial Espanha, a Itália e a Bélgica, a história está longe de terminar. Mas o que já foi escrito tem o sabor da superação, do orgulho e da luta pela igualdade. Portugal entrou no mapa do futebol feminino europeu e não vai sair.






Deixe um comentário