“Jogar à Bola Não Chega”

Num país onde o futebol se respira como o ar e se vive com a alma, há histórias que se desenrolam fora das quatro linhas, mas que decidem destinos com mais força do que um golo aos 90 minutos.

Foto: FPF

A Liga BPI, entidade máxima do futebol feminino em Portugal, já anunciou os clubes com licença aprovada para disputar o escalão principal na próxima temporada. E entre os nomes conhecidos… uma ausência gritante. O Damaiense, clube que tantas emoções proporcionou aos adeptos, não consta da lista.

Uma ausência que faz eco e levanta questões, não desportivas, mas burocráticas.Segundo os regulamentos da Federação, quem não cumpre os requisitos administrativos, por muito que tenha cumprido em campo, fica de fora. E assim, o Damaiense, salvo um volte-face inesperado, pode mesmo perder o lugar que conquistou com suor e talento. A porta que se fecha para umas, abre-se para outras: o Famalicão, que tinha descido após perder o playoff frente ao Rio Ave, poderá ser repescado e regressar à Liga BPI pela “secretaria”.

Como se não bastasse, paira no ar outra nuvem de incerteza, desta vez sobre a Segunda Divisão. O Real SC, clube de Queluz que conquistou a promoção ao alcançar a final da Terceira Divisão, enfrenta alegadas dificuldades semelhantes. A possibilidade de não cumprir os critérios obrigatórios poderá afastar o emblema sintrense da competição. E, mais uma vez, a consequência não se faz esperar: o JuveForce, que caiu às portas da subida, poderá beneficiar do insucesso alheio e juntar-se ao FC Porto na ascensão à Liga 2.

Há semanas, corriam rumores de uma mudança geográfica do Damaiense que estaria pronto a rumar da Amadora em Lisboa para o Algarve, mais concretamente a Loulé (sim, Loulé, no distrito de Faro… ironias geográficas à parte). A mudança poderia fazer parte de uma tentativa de salvar o projecto, ou de o reinventar.

Mas por agora, reina o silêncio e a dúvida.Este é mais um capítulo do nosso futebol onde, por vezes, jogar bem não chega. É preciso jogar com papéis, com prazos, com processos. E no fim, ganha quem conseguir marcar golo… também na secretaria.

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